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dezembro 2013

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Eu voltei do Pará há 4 meses, mas ainda não tinha tido coragem de editar as fotos e montar esse post. A bem da verdade é que aconteceu tanta coisa nesse tempo que fiquei com um certo cansaço. Fiquei doente, fui assaltada, tive uma alergia forte no olho e morri de saudade de casa. E não tem forma melhor de começar esse post dizendo: Belém me fez pensar na diversidade e em como o Brasil pode ser considerado realmente “mil Brasis”.

Belém é cheia de encanto. E cada minuto lá foi apreciado, com um misto de fascinação e um misto de estranhamento.  É uma cidade muito diferente de tudo que eu estava acostumada. Dizem que viajar é se deparar como o novo e conhecer novas culturas, certo? Mas eu realmente não imaginei tanto. Tudo é muito diferente,  o ritmo é outro.

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Para começar, a cidade é bastante monótona. Em 3 dias eu já havia percorrido o roteiro turístico e em um semana praticamente conhecia a cidade toda, porque já sabia as linhas de ônibus, funcionamento, bairros mais tranquilos, e etc. Percorri praticamente todos os bairros e andei bastante de bus, naquele roteiro roots mesmo, porque era a ideia. Mas a cidade é “pequena” apesar de ser capital, é pequena para o meu parâmetro. Bem menor que a cidade onde vivo. Então no fim eu meio que já estava entediada, e me arrependendo de não ter ido para outros lugares nos arredores de Belém.

Além disso a cidade é bastante desorganizada. Não há sinalização, nenhuma preocupação com o turista. Um ponto que achei complicado por ser uma das capitais mais turísticas do país. Um dica que dou é evitar andar por lugares desconhecidos e sempre pegar ônibus. Não tem jeito, a cidade é perigosa sim. Quando me falaram isso eu pensei… “ah, mais que São Paulo é impossível!” acontece que em São Paulo é muito diversa (etnicamente falando), que não é quase impossível saber quando alguém é turista. Já em Belém, turista se destaca bastante. Eu infelizmente fui assaltada em frente a uma delegacia, e me chocou o fato que eles viram e não fizeram nada. Naquele dia eu entendi que deveria tomar o dobro de cuidado.

Outra coisa importante é pesquisar muito e não confiar em tudo que lê. Fomos parar em um lugar que disseram ser um ponto turístico incrível, mas era um lugar abandonado que depois descobrimos ser extremamente perigoso. Infelizmente, o que mais me decepcionou na viagem foi a desorganização da cidade. Faltam placas, informações sobre ônibus e iluminação. E o mais importante, faltam pessoas na rua. Depois de um certo horário, tudo parece dormir. De toda forma, seguindo o bom senso e pesquisando muito antes e ir ao qualquer lugar, não haverá problemas!

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Os melhores lugares que visitamos, na minha opinião foi o Mangal das garças e o Mercado ver o peso. Tiveram outros lugares bacanas, muita natureza, animais exóticos e frutas estranhas, mas esses dois foram os mais legais pra mim. O primeiro porque é uma espécie de parque/reserva bem grande que tem vários animais legais e muita natureza. As atrações incluem um orquidário <3 e um borboletário, onde aliás, ocorreu algo engraçado. Pra quem não sabe, tenho fobia de lagartas. Mas tipo, FOBIA MESMO! Dai resolvi que ia enfrentar o medo entrando no borboletário, afinal, eram tantas borboletas lindas e não necessariamente haveriam lagartas… quer dizer, quem sabe? Comprei o ingresso e caminhei rumo a entrada. Logo na primeira curva me deparo com uma lagarta empalhada… gente, mas na hora eu gelei e entrei em surto. Minha amiga entrou e eu fiquei lá fora, bem longe de qualquer coisa que pudesse me tocar… hehehe Mas é muita jeguice achar que não iam ter um montão de lagartas lá né? fala sério!

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Mas prosseguindo, o mercado ver o peso é fantástico! Todo tipo de artesanato, especiarias, frutas, pratos típicos… comprei todas minhas lembranças lá e experimentei alguns sucos e frutas típicas. Pra ser sincera, só gosto mesmo da acerola e do bom e velho açaí. Todo o resto me pareceu muito estranho. E olha que experimentei várias coisas! risos De toda forma, nada como ver aquele imenso rio em contraste com a cerâmica e as incontáveis barracas de frutos da terra Paraense. Uma cena difícil de esquecer.

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Aliás, rios… Descobri que aqui a gente não sabe o que é um rio de verdade. Quer dizer, o tietê não conta como rio né? risos Lá os rios estão em todos lugar e são tão imensos que não dá pra mensurar. Lá a natureza se sobressai a tudo, é é lindo ver os barcos em meio a floresta lá no fim do horizonte. E foi lá também que vi um tornado pela primeira vez…. bem distante claro, lá no meio da floresta. Confesso que não tive coragem de andar de barco, mas já deixo o aviso: se quer sair da cidade e conhecer as dezenas de lugares paradisíacos no Pará, tem que ir de barco. Dizem ser super seguro, mas eu não tive coragem.

Sobre a comida, tem pratos típicos bem característicos, como a maniçoba, tucupi, tacacá, o bolo de tapioca… Tudo bem forte, mas gostoso. Aliás, comer não é um problema lá! Tudo incrível. sabem… é impressionante o quanto não sabemos nada daquela região. Infelizmente, tenho que confessar que assim como a maioria das pessoas por aqui, o Pará não é exatamente o primeiro lugar que nos vem a mente quando pensamos na Amazônia, mas foi incrível saber o quanto esse estado carrega de história e diversidade cultural. Foi um choque, simplesmente isso. Descobrir o quanto podemos nos sentir estranhos em nossa própria terra pelo simples fato de não conhecermos a diversidade no nosso país.

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Algumas percepções aleatórias de Belém:

  • A música mais tocada por lá é o tecnobrega/tecnomelody e vertentes. E acreditem, é muito legal quando você dança na beira do rio depois de beber bastante! /o/
  • Não faz tanto calor assim em Belém, as pessoas exageram. Fui no verão deles e acreditem, sofremos mais em SP por causa da falta de umidade de natureza.
  • Lá chove todo dia, é gostoso até, mas é chato porque impede você de fazer várias coisas.
  • Lá tem muito inseto diferente.
  • O preço da Cerâmica é ridiculamente baixo.
  • Há muitas casas de parafitas na beira do rio.
  • Não, você não pode nadar na maioria dos rios.
  • Aliás, os rios são pavorosos. parece que vão te engolir pra sempre.
  • As pessoas contam lendas macabras sobre os rios.
  • Sintetizando, tenho medo de rio depois que voltei de Belém.
  • Nos bairros não achei nenhum tipo de “padaria”. O que foi frustrante, pois eu jurava que padaria é uma coisa universal e que qualquer esquina deveria ter.
  • Pão francês é difícil de achar, e lá se chama pão careca.
  • Aliás, dentro dos bairros existem um tipo de “armazém” que as pessoas fazem dentro de casa. É estranho. Você tem que pedir do lado de fora da grade.
  • A polpa da fruta se vendo por quilo lá, e é fresquinha <3
  • É muito triste, mas por lá é muito comum as histórias de escalpelamento. Existe até um hospital próprio que trata disso.
  • Visitei um shopping lá que deixa todos os outros que já fui no chinelo.
  • A Universidade Federal do Pará é incrivelmente bela. É a universidade mais linda que já visitei. deixa o USP no chinelo.
  • No geral, as pessoas lá geralmente não gostam que as identifiquem com a cultura indígena. Embora sejam todos visivelmente descendentes de nativos.
  • É muito barato ir pra outros lugares e ilhas próximas a cidade, como Marajó.
  • E por último, quando você fala que é paulista, as pessoas soltam um “ah…”. Deu pra perceber que o Rio de janeiro ofusca todas as atenções. A maior parte das pessoas com as quais conversei demonstram não saber quase nada sobre nós. Assim como a gente também não sabe quase nada sobre eles.

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E pra encerrar, posso dizer que o melhor da cidade são as pessoas. Os habitantes de Belém são incríveis! Muito solicitos, gente que te acolhe de verdade! Além de ter uma criatividade e uma beleza ímpar. Voltamos refletindo muito sobre como ser pessoas mais legais! Senti que não aproveitei o quanto podia a experiência no Pará, pois não conheci nada além de Belém, mas a estadia lá acabou sendo mais rica que o esperado. Me ensinou que o Brasil é realmente grande e a gente não faz ideia da diversidade que existe nele.

Se eu sai daqui pensando que ia ver muito rio, floresta e comidas estranhas, acabei encontrando muito mais do que jamais poderia imaginar. saudade Belém! Obrigada por me fazer amar um pouco mais essa terra chamada Brasil!


Escrito por
Jess

Salada de rúcula, croutons e lombo à manteiga
Uma saladinha para começar a semana incluindo opções saudáveis e leves ao cardápio! Essa receita é simples e  perfeita como sugestão de almoço prático para a semana. Você vai precisar de: 4 fatias de pão de forma 50gr de azeite orégano à gosto 5 colheres de manteiga 150gr de lombo picado em fatias pequenas 1 cebola média 1 maço de rúcula Corte as fatias de pão de forma em (...)



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8 Comentários em “Belém do Pará”


Ler posts sobre viagem é viajar um pouquinho também. Adorei as “percepções aleatórias” e fiquei imaginando como seria estar lá. Tenho muita vontade de conhecer o Norte e Belém está na lista. Acho tecnobrega bem divertido, mesmo que eu não saiba dançar nada rsrs Fico me imaginando nas feiras com tanta informações de cores, aromas e frutas que eu nunca ouvi falar. Já ouvi outras pessoas falando também desses pontos negativos, é uma pena mesmo. Mas o mais legal (de toda viagem) é sempre voltar com muito mais do que se esperava.

Jess

é verdade Patricia 🙂
de tudo o que me arrependo é não ter aproveitado melhor o mercado ver o peso. Queria ter comprado muitos temperos e frutas 😀

Oh, Jess, olhando suas fotos nem dá para imaginar que a viagem teve esses pontos negativos. Mas o importante é saber que, apesar de tudo, você teve uma experiência e tanto, né?
Nunca fui para o norte do país, e, só depois de você comentar sobre como não pensamos muito nele como destino, reparei que nenhum lugar de lá esteve na minha lista de destinos mais desejados… :O Acho que preciso pesquisar mais.

pois é Emi. ié uma pena que saibamos tão pouco desse lugar tão incrível!

Certa vez combinamos uma viagem para Belém que acabou não dando certo. Confesso que não é o lugar que eu penso de primeira quando pensamos em viajar, porque eu sou um ser estranho bastante cidade grande. Gosto do barulho, da agitação, do engarrafamento de pessoas nas calçadas, amo a culinária podre, tipo pizza, Coca-Cola, doces dos mais variados, sua infinidade de bares e música. Muita música. 😉
O fato dos insetos foi algo que sempre fez com que eu deixasse Belém de lado, porque além de verdadeiro pavor, eu sou alérgica.
Lembro que marcamos essa viagem por pura e espontânea pressão e quando não deu certo eu até fiquei alegre.
Quando a minha amiga voltou contando da aventura no passeio de barco, dos mosquitos e da “dificuldade” que ela teve em encontrar as comidas que ela gosta, eu fiquei mais aliviada ainda.
Talvez, no futuro, quando eu perder o medo de rio, de inseto e aprender a gostar de açaí, cupuaçu e etc, eu pense com mais carinho. 😉
Beijos.

entendo perfeitamente, e é isso que tentei passar no post.
Por mais urbana que belém seja, é uma realidade diferente pra quem está do outro lado do pais e portanto, um grande choque!

Tenho apercepção que o nordeste é mais presente na nossa cultura que o norte, o que é uma pena, afinal, tem muita coisa que a gente precisava aprender com eles!

Aaah… eu adoro o Pará! 🙂
Vou pra lá todo ano! Tenho família que mora em Belém, mas sempre fico hospedada em Castanhal, uma cidade próxima. É onde moram quase todos os meus tios e meu avô! Adoro tomar açaí recém batido! Suco de Bacuri, Cupuaçu, Taperebá já fazem parte da minha vida desde pequena! Detestooooo maniçoba e adoro Tacacá! 😀

E o sorvete da Cairuuuuu meu deus?? O que é aquilooo?? Bom demais! o/

Sempre vou a Belém para passeios tipo Praça da República e almoços em família em restaurantes do outro lado do rio (incríveis, por sinal. E super baratos!).

É impressionante mesmo como conhecemos tão pouco do nosso país! Se você fosse comigo, te mostrava uma cidade que se chama Icoraci. Lá se fazem potes de barro lindos lindos! A gente entra nas lojas, que são bem bem bem simples e rústicas, e encontra com as próprias pessoas que fazem os vasos naqueles tornos (tipo no Ghost!). É tão legaal! 🙂

Enfim… empolguei! Uma pena que você tenha se sentido tão insegura por lá! Como falei, não fico muito em Belém, então só ando por lá de dia. Nem sabia da falta de iluminação e de placas informativas (pq sempre tenho guias familiares :P). Uma pena mesmo mesmo.. com tanta coisa legal por lá!

Empolguei aqui no comentário! Hahuaihaoiua
Mas é que o Pará mora no meu coração! ^^

Beijinhos! Adorei o post! 🙂
;**

Ah,mas seu comentário foi maravilhoso, sério!

Eu tenho absoluta certeza que ao redor da cidade a violência não é um problema. Porque violência urbana é uma coisa mesmo de grandes cidades, não tem muito jeito. Agora o que me fez me sentir mais insegura lá do que aqui é justamente a organização da cidades. 🙁

Mas pra quem tem parente deve ser delicioso. Afinal, como eu disse, eu realmente aprendi na minha estadia lá que precisamos ser pessoas beeeem melhores. Aprender a receber bem, confiar, ser solicito… Nossa… fui acolhida com muito amor.

E lamento muito não ter conseguido sair de belém, porque tenho a percepção que você está certíssima, o Pará é um lugar que marca pra sempre uma pessoa!